Segunda-feira, 6 de Julho de 2009
FAB substituirá frota de Hércules C-130 por novos cargueiros
Agência Brasil
BRASÍLIA - A Força Aérea Brasileira (FAB) substituirá sua frota de aviões Hércules C-130 por um novotipo de cargueiro, a jato, que será fabricado pela Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer). Para o desenvolvimento do projeto, o Congresso aprovou nesta quinta-feira R$ 305 milhões de crédito extraordinário ao orçamento de 2009 para o Ministério da Defesa.
Atualmente, a FAB dispõe de 22 Hércules, a grande maioria fabricada nas décadas de 60 e 70.
Na exposição de motivos apresentada, o relator do projeto, deputado João Leão (PP-BA), argumentou que "o acentuado grau de obsolescência (dos Hércules C-130)" resulta em um alto custo de manutenção e em um grande número de aviões inativos. Segundo o parlamentar, não existem mais no mercado mundial peças para esse modelo de aeronave.
Na sessão do Congresso, os deputados e senadores votaram exclusivamente créditos extraordinários ao orçamento. Eles aprovaram, por exemplo, crédito de R$ 492,07 milhões para execução de obras de dragagem e recuperação de portos que constam do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Emenda apresentada pelo deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC) determinou que parte desses recursos - R$ 9 milhões - reforce o caixa das obras de recuperação do Porto de Itajaí, parcialmente destruído pelas fortes chuvas ocorridas em Santa Catarina no início deste ano.
Também foi aprovado crédito para apoio financeiro à Palestina Também foi aprovada a destinação de R$ 25 milhões, em créditos extraordinários, para apoio financeiro à Palestina. Os recursos devem ser usados para reconstrução e desenvolvimento de assentamentos na Faixa de Gaza. Para que os recursos sejam efetivamente liberados, deputados e senadores têm que aprovar antes projeto de lei efetivando a doação. A matéria está na Câmara.
Os R$ 25 milhões a serem enviados aos palestinos não representam recursos novos do governo.
Na verdade, segundo o relator Francisco Rodrigues (DEM-RR), trata-se de remanejamento de parte do orçamento do Ministério das Relações Exteriores que seriam usados no projeto de construção de mais um prédio anexo.
Outro projeto repassou R$ 43.549.795 para a Infraero. O crédito extraordinário será usado em obras nos aeroportos de Fortaleza, Boa Vista, Salvador, Rio de Janeiro (Galeão-Antonio Carlos Jobim) e de Guarulhos e Campinas, em São Paulo.
O Congresso aprovou ainda a abertura de novos créditos no valor de R$ 42 milhões para a manutenção e funcionamento do Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada S.A., em Porto Alegre. Foram liberados ainda R$ 149,29 milhões para complementar a parte brasileira no capital da Alcântara Cyclone Space (ACS). A ACS é uma parceria estabelecida com a Ucrânia que prevê o uso do veículo de lançamento do foguete Cyclone 4, no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão.
Também serão investidos recursos para obras de infraestrutura do Centro Espacial de Alcântara.
BRASÍLIA - A Força Aérea Brasileira (FAB) substituirá sua frota de aviões Hércules C-130 por um novotipo de cargueiro, a jato, que será fabricado pela Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer). Para o desenvolvimento do projeto, o Congresso aprovou nesta quinta-feira R$ 305 milhões de crédito extraordinário ao orçamento de 2009 para o Ministério da Defesa.
Atualmente, a FAB dispõe de 22 Hércules, a grande maioria fabricada nas décadas de 60 e 70.
Na exposição de motivos apresentada, o relator do projeto, deputado João Leão (PP-BA), argumentou que "o acentuado grau de obsolescência (dos Hércules C-130)" resulta em um alto custo de manutenção e em um grande número de aviões inativos. Segundo o parlamentar, não existem mais no mercado mundial peças para esse modelo de aeronave.
Na sessão do Congresso, os deputados e senadores votaram exclusivamente créditos extraordinários ao orçamento. Eles aprovaram, por exemplo, crédito de R$ 492,07 milhões para execução de obras de dragagem e recuperação de portos que constam do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Emenda apresentada pelo deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC) determinou que parte desses recursos - R$ 9 milhões - reforce o caixa das obras de recuperação do Porto de Itajaí, parcialmente destruído pelas fortes chuvas ocorridas em Santa Catarina no início deste ano.
Também foi aprovado crédito para apoio financeiro à Palestina Também foi aprovada a destinação de R$ 25 milhões, em créditos extraordinários, para apoio financeiro à Palestina. Os recursos devem ser usados para reconstrução e desenvolvimento de assentamentos na Faixa de Gaza. Para que os recursos sejam efetivamente liberados, deputados e senadores têm que aprovar antes projeto de lei efetivando a doação. A matéria está na Câmara.
Os R$ 25 milhões a serem enviados aos palestinos não representam recursos novos do governo.
Na verdade, segundo o relator Francisco Rodrigues (DEM-RR), trata-se de remanejamento de parte do orçamento do Ministério das Relações Exteriores que seriam usados no projeto de construção de mais um prédio anexo.
Outro projeto repassou R$ 43.549.795 para a Infraero. O crédito extraordinário será usado em obras nos aeroportos de Fortaleza, Boa Vista, Salvador, Rio de Janeiro (Galeão-Antonio Carlos Jobim) e de Guarulhos e Campinas, em São Paulo.
O Congresso aprovou ainda a abertura de novos créditos no valor de R$ 42 milhões para a manutenção e funcionamento do Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada S.A., em Porto Alegre. Foram liberados ainda R$ 149,29 milhões para complementar a parte brasileira no capital da Alcântara Cyclone Space (ACS). A ACS é uma parceria estabelecida com a Ucrânia que prevê o uso do veículo de lançamento do foguete Cyclone 4, no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão.
Também serão investidos recursos para obras de infraestrutura do Centro Espacial de Alcântara.
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José Carlos Batista
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Segunda-feira, Julho 06, 2009
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País tenta um tiro certeiro no tráfico
Para conter avanço do crime organizado, Exército será convocado a ajudar a PF na patrulha da fronteira com Bolívia e Peru, região que o governo considera preocupante
Edson Luiz – Correio Braziliense
O Exército vai ser a alternativa do governo para tentar diminuir o tráfico na fronteira, principalmente com Bolívia e Peru, onde foi registrado um aumento na produção de cocaína. Os militares vão fazer fiscalizações conjuntas com a Polícia Federal em áreas consideradas estratégicas. O trabalho, que hoje se restringe ao apoio logístico, será mais amplo e incluirá operações de inteligência. Além disso, a PF quer recompor seu serviço de aviação para enviar mais helicópteros para a região. O anúncio das medidas deverá ser feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos próximos dias, durante o lançamento de um pacote de ações de combate e prevenção às drogas.
Ontem, a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou um relatório confirmando o aumento do uso de cocaína na América do Sul.
Segundo a Polícia Federal, o avanço do tráfico de drogas já era esperado desde 2007. “O crescimento era previsível”, diz o diretor de Combate ao Crime Organizado da PF, Roberto Troncon Filho. Porém, pouca coisa foi feita nos últimos dois anos, como mostrou o Correio na edição de ontem. O deslocamento dos laboratórios de refino de cocaína para regiões próximas à fronteira brasileira ajudou no avanço do tráfico, o que fez elevar as apreensões no Brasil. “Estamos fazendo composições com outras instituições, como a Polícia Rodoviária Federal e as secretarias de segurança pública dos estados, para trabalharmos em conjunto”, destaca Troncon.
O diretor da PF informou que, além das operações conjuntas, a Polícia Federal vai desenvolver ações que estão relacionadas ao Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci) em toda a fronteira brasileira — entre elas, a instalação de novas bases fluviais na Amazônia. “Atualmente, temos apoio da Marinha em patrulhamentos, mas teremos bases próprias”, ressalta Troncon. O Centro de Comunicação Social do Exército (Cecomsex) não confirmou a parceria com a PF, mas afirmou que a Força presta apoio logístico sempre que solicitada.
Segundo o Escritório da ONU Contra Drogas e Crimes no Brasil (UNODC), o consumo de cocaína diminuiu na maioria dos países em desenvolvimento, mas cresceu na América do Sul, onde houve ainda um avanço nas produções do Peru e da Bolívia. “No mundo, há uma estabilidade no comércio de drogas como a cocaína”, disse o chefe do escritório, Bo Mathaiasen. O secretário Nacional Antidrogas, general Paulo Roberto Uchôa, ressaltou que o governo está tranquilo: “No que se refere a nós, temos tomado todas as providências”, disse Uchôa.
Edson Luiz – Correio Braziliense
O Exército vai ser a alternativa do governo para tentar diminuir o tráfico na fronteira, principalmente com Bolívia e Peru, onde foi registrado um aumento na produção de cocaína. Os militares vão fazer fiscalizações conjuntas com a Polícia Federal em áreas consideradas estratégicas. O trabalho, que hoje se restringe ao apoio logístico, será mais amplo e incluirá operações de inteligência. Além disso, a PF quer recompor seu serviço de aviação para enviar mais helicópteros para a região. O anúncio das medidas deverá ser feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos próximos dias, durante o lançamento de um pacote de ações de combate e prevenção às drogas.
Ontem, a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou um relatório confirmando o aumento do uso de cocaína na América do Sul.
Segundo a Polícia Federal, o avanço do tráfico de drogas já era esperado desde 2007. “O crescimento era previsível”, diz o diretor de Combate ao Crime Organizado da PF, Roberto Troncon Filho. Porém, pouca coisa foi feita nos últimos dois anos, como mostrou o Correio na edição de ontem. O deslocamento dos laboratórios de refino de cocaína para regiões próximas à fronteira brasileira ajudou no avanço do tráfico, o que fez elevar as apreensões no Brasil. “Estamos fazendo composições com outras instituições, como a Polícia Rodoviária Federal e as secretarias de segurança pública dos estados, para trabalharmos em conjunto”, destaca Troncon.
O diretor da PF informou que, além das operações conjuntas, a Polícia Federal vai desenvolver ações que estão relacionadas ao Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci) em toda a fronteira brasileira — entre elas, a instalação de novas bases fluviais na Amazônia. “Atualmente, temos apoio da Marinha em patrulhamentos, mas teremos bases próprias”, ressalta Troncon. O Centro de Comunicação Social do Exército (Cecomsex) não confirmou a parceria com a PF, mas afirmou que a Força presta apoio logístico sempre que solicitada.
Segundo o Escritório da ONU Contra Drogas e Crimes no Brasil (UNODC), o consumo de cocaína diminuiu na maioria dos países em desenvolvimento, mas cresceu na América do Sul, onde houve ainda um avanço nas produções do Peru e da Bolívia. “No mundo, há uma estabilidade no comércio de drogas como a cocaína”, disse o chefe do escritório, Bo Mathaiasen. O secretário Nacional Antidrogas, general Paulo Roberto Uchôa, ressaltou que o governo está tranquilo: “No que se refere a nós, temos tomado todas as providências”, disse Uchôa.
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Segunda-feira, Julho 06, 2009
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Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
O incrível caso de dona Jacinta
O incrível caso de dona Jacinta, condenada por sequestrar sozinha seis policiais mexicanos
EL PAÍS
Dona Jacinta tem 48 anos - ou talvez 47, não se lembra muito bem -, seis filhos, outros tantos netos, um idioma em que se expressa perfeitamente, o otomi, outro em que tenta, o espanhol, e uma barraca ambulante em que desafia o persistente sol de Querétaro vendendo neve [gelo raspado] e "águas frescas". Melhor dito, desafiava. Porque há três verões, desde que tinha 45 anos - ou talvez 44 -, a indígena dona Jacinta está na prisão, acusada - ela que mede apenas um metro e meio de altura - de sequestrar seis corpulentos agentes da Polícia Federal mexicana. Se seu deus não trouxer remédio, a senhora das neves e das águas frescas passará as próximas duas décadas na prisão, condenada por um delito que ninguém, exceto uma pessoa, acredita que ela tenha cometido. A má sorte de dona Jacinta é que essa pessoa é o juiz.
Tudo começou em 26 de março de 2006. Naquele domingo, seis policiais da Agência Federal de Investigação, sem uniformes nem placas que os identificassem como tal, chegaram ao "tianguis" - assim se chamam aqui os mercados ambulantes, desde muito antes que Hernán Cortez pensasse em viajar - da comunidade indígena de Santiago Mexquititlán e apreenderam várias mercadorias sob o pretexto de que se tratava de pirataria. Os comerciantes se irritaram, os cercaram e pediram suas identificações. Os policiais se negaram. A tensão cresceu. Chegaram mais policiais. Também chegaram mais vendedores ambulantes. A situação foi ficando cada vez mais feia até que um dos chefes policiais teve uma ideia: pagariam os danos causados e "aqui paz e depois glória". Para os comerciantes pareceu bem. Os policiais disseram então: "Vamos buscar o dinheiro". E os comerciantes responderam: "Está bem. Mas que um dos policiais fique para garantir que vocês vão respeitar o acordo". Coube ficar o agente Jorge Cervantes Peñuelas.
No outro extremo da praça, sem perceber a confusão, encontrava-se dona Jacinta vendendo sua neve e suas águas frescas. Havia chegado cedo, mas quando ouviu a última badalada para a missa das 11 deixou uma de suas filhas cuidando da barraca e entrou na igreja. Depois da reza, dona Jacinta não saiu de seu lugar de trabalho até pouco antes do entardecer. "Tive de ir à farmácia tomar uma injeção", lembra, "e pedi a outra de minhas filhas que me acompanhasse porque não sei pronunciar direito o nome dos remédios e não queria me enganar diante de tanta gente."
Foi ali, enquanto tomava a injeção, que a senhora se inteirou da atuação da polícia e da reação indignada dos comerciantes. "Quando saí, me aproximei para ver o que estava acontecendo." A chegada de dona Jacinta ao local do alvoroço coincidiu com a volta dos policiais que tinham ido buscar o dinheiro. Com eles chegou um fotógrafo de um jornal de Querétaro.
Passaram quase três anos. Dona Jacinta conta a história no pátio da prisão feminina de Querétaro. O faz de forma cronológica, sem esquecer nenhum detalhe, juntando as frases ao ritmo de seu desespero. Conta que naquela noite foi para casa com sua família e que nada de estranho aconteceu até três meses depois, até aquele maldito 3 de agosto de 2006 que não se apagará de sua memória. "Naquela tarde, quando cheguei a minha casa já estavam lá os policiais. Eles me perguntaram: 'Você é Jacinta?' Quando disse que sim, me prenderam. Vieram me buscar com armas e caminhonetes. Não tive medo, porque sabia que não tinha feito nada de mal. Disseram-me que iam me levar para depor pelo corte de uma árvore. Mas o motorista dirigia muito mal, dando guinadas, freando e acelerando. Um dos agentes me perguntou: 'E de que religião você é? Com certeza votou no PRD [o partido da esquerda mexicana]'. Respondi que sou católica e então me disse: 'Ah, desculpe'. Puxei meu rosário e comecei a rezar o pouquinho que sei de memória. Quando cheguei ao juizado, tive de assinar muitos papéis escritos em espanhol, papéis que não entendia". Depois de muito tempo, quando a senhora se atreveu a perguntar por que estava ali, a resposta a deixou gelada: "Por sequestrar seis policiais federais".
Dona Jacinta não mede mais que um metro e meio. Diz que a comida da prisão não lhe agrada e por isso emagreceu, mas que quando entrou pesava mais de 80 quilos. Um perfil difícil de coordenar com a acusação de sequestradora de seis policiais de elite, fortes, treinados para lutar com criminosos. Nada disso serviu em sua defesa. Nem mesmo o fato de que em suas primeiras declarações nenhum dos policiais falou dela nem de ninguém parecido. Só muito tempo depois os investigadores repararam que aquele fotógrafo de Querétaro tinha tirado um instantâneo dos minutos finais do incidente. E ali, na terceira ou quarta fila, aparecia dona Jacinta na atitude pacífica de alguém que olha, que só passava por ali. Mas a identificaram, verificaram onde morava e foram buscá-la. O processo judicial desembocou em uma condenação de 21 anos de prisão pelo sequestro dos seis agentes.
Todo esse relato, tudo o que se encontra aqui, foi transcorrendo no mais absoluto silêncio - semana após semana, mês após mês -, até que uma organização mexicana de direitos humanos, o centro Miguel Agustín Pro Juárez, decidiu intervir. E agora dona Jacinta, pelo menos, abriga certa esperança. Animada por essa ilusão, nesse canto do pátio da penitenciária, fugindo do mesmo sol que ela desafiava com suas neves e águas frescas, a indígena vai contando sua vida, que é a de milhares de outras Jacintas. Que começou a vender chicletes pelas ruas do Distrito Federal aos 7 anos, que não foi à escola porque seus pais não tinham dinheiro para sapatos nem para cadernos, que aos 10 anos a puseram para cuidar de cabritos, que aos 14 teve seu primeiro namorado, que fugiu com ele aos 15 e teve sua primeira filha aos 16. Que nunca aprendeu espanhol nem soube, até que esteve detida, o que significava a palavra "advogado" ou a palavra "provas". Também conta que até os 45 anos - ou talvez 44 - foi feliz. Que até então - isso ela não diz, mas há mil estatísticas que o demonstram - não havia provado o sabor amargo que têm no México esses três ingredientes juntos: mulher, indígena e pobre.
DE: Pablo Ordaz
TRadução:Luiz Roberto Mendes Gonçalves
EL PAÍS
Dona Jacinta tem 48 anos - ou talvez 47, não se lembra muito bem -, seis filhos, outros tantos netos, um idioma em que se expressa perfeitamente, o otomi, outro em que tenta, o espanhol, e uma barraca ambulante em que desafia o persistente sol de Querétaro vendendo neve [gelo raspado] e "águas frescas". Melhor dito, desafiava. Porque há três verões, desde que tinha 45 anos - ou talvez 44 -, a indígena dona Jacinta está na prisão, acusada - ela que mede apenas um metro e meio de altura - de sequestrar seis corpulentos agentes da Polícia Federal mexicana. Se seu deus não trouxer remédio, a senhora das neves e das águas frescas passará as próximas duas décadas na prisão, condenada por um delito que ninguém, exceto uma pessoa, acredita que ela tenha cometido. A má sorte de dona Jacinta é que essa pessoa é o juiz.
Tudo começou em 26 de março de 2006. Naquele domingo, seis policiais da Agência Federal de Investigação, sem uniformes nem placas que os identificassem como tal, chegaram ao "tianguis" - assim se chamam aqui os mercados ambulantes, desde muito antes que Hernán Cortez pensasse em viajar - da comunidade indígena de Santiago Mexquititlán e apreenderam várias mercadorias sob o pretexto de que se tratava de pirataria. Os comerciantes se irritaram, os cercaram e pediram suas identificações. Os policiais se negaram. A tensão cresceu. Chegaram mais policiais. Também chegaram mais vendedores ambulantes. A situação foi ficando cada vez mais feia até que um dos chefes policiais teve uma ideia: pagariam os danos causados e "aqui paz e depois glória". Para os comerciantes pareceu bem. Os policiais disseram então: "Vamos buscar o dinheiro". E os comerciantes responderam: "Está bem. Mas que um dos policiais fique para garantir que vocês vão respeitar o acordo". Coube ficar o agente Jorge Cervantes Peñuelas.
No outro extremo da praça, sem perceber a confusão, encontrava-se dona Jacinta vendendo sua neve e suas águas frescas. Havia chegado cedo, mas quando ouviu a última badalada para a missa das 11 deixou uma de suas filhas cuidando da barraca e entrou na igreja. Depois da reza, dona Jacinta não saiu de seu lugar de trabalho até pouco antes do entardecer. "Tive de ir à farmácia tomar uma injeção", lembra, "e pedi a outra de minhas filhas que me acompanhasse porque não sei pronunciar direito o nome dos remédios e não queria me enganar diante de tanta gente."
Foi ali, enquanto tomava a injeção, que a senhora se inteirou da atuação da polícia e da reação indignada dos comerciantes. "Quando saí, me aproximei para ver o que estava acontecendo." A chegada de dona Jacinta ao local do alvoroço coincidiu com a volta dos policiais que tinham ido buscar o dinheiro. Com eles chegou um fotógrafo de um jornal de Querétaro.
Passaram quase três anos. Dona Jacinta conta a história no pátio da prisão feminina de Querétaro. O faz de forma cronológica, sem esquecer nenhum detalhe, juntando as frases ao ritmo de seu desespero. Conta que naquela noite foi para casa com sua família e que nada de estranho aconteceu até três meses depois, até aquele maldito 3 de agosto de 2006 que não se apagará de sua memória. "Naquela tarde, quando cheguei a minha casa já estavam lá os policiais. Eles me perguntaram: 'Você é Jacinta?' Quando disse que sim, me prenderam. Vieram me buscar com armas e caminhonetes. Não tive medo, porque sabia que não tinha feito nada de mal. Disseram-me que iam me levar para depor pelo corte de uma árvore. Mas o motorista dirigia muito mal, dando guinadas, freando e acelerando. Um dos agentes me perguntou: 'E de que religião você é? Com certeza votou no PRD [o partido da esquerda mexicana]'. Respondi que sou católica e então me disse: 'Ah, desculpe'. Puxei meu rosário e comecei a rezar o pouquinho que sei de memória. Quando cheguei ao juizado, tive de assinar muitos papéis escritos em espanhol, papéis que não entendia". Depois de muito tempo, quando a senhora se atreveu a perguntar por que estava ali, a resposta a deixou gelada: "Por sequestrar seis policiais federais".
Dona Jacinta não mede mais que um metro e meio. Diz que a comida da prisão não lhe agrada e por isso emagreceu, mas que quando entrou pesava mais de 80 quilos. Um perfil difícil de coordenar com a acusação de sequestradora de seis policiais de elite, fortes, treinados para lutar com criminosos. Nada disso serviu em sua defesa. Nem mesmo o fato de que em suas primeiras declarações nenhum dos policiais falou dela nem de ninguém parecido. Só muito tempo depois os investigadores repararam que aquele fotógrafo de Querétaro tinha tirado um instantâneo dos minutos finais do incidente. E ali, na terceira ou quarta fila, aparecia dona Jacinta na atitude pacífica de alguém que olha, que só passava por ali. Mas a identificaram, verificaram onde morava e foram buscá-la. O processo judicial desembocou em uma condenação de 21 anos de prisão pelo sequestro dos seis agentes.
Todo esse relato, tudo o que se encontra aqui, foi transcorrendo no mais absoluto silêncio - semana após semana, mês após mês -, até que uma organização mexicana de direitos humanos, o centro Miguel Agustín Pro Juárez, decidiu intervir. E agora dona Jacinta, pelo menos, abriga certa esperança. Animada por essa ilusão, nesse canto do pátio da penitenciária, fugindo do mesmo sol que ela desafiava com suas neves e águas frescas, a indígena vai contando sua vida, que é a de milhares de outras Jacintas. Que começou a vender chicletes pelas ruas do Distrito Federal aos 7 anos, que não foi à escola porque seus pais não tinham dinheiro para sapatos nem para cadernos, que aos 10 anos a puseram para cuidar de cabritos, que aos 14 teve seu primeiro namorado, que fugiu com ele aos 15 e teve sua primeira filha aos 16. Que nunca aprendeu espanhol nem soube, até que esteve detida, o que significava a palavra "advogado" ou a palavra "provas". Também conta que até os 45 anos - ou talvez 44 - foi feliz. Que até então - isso ela não diz, mas há mil estatísticas que o demonstram - não havia provado o sabor amargo que têm no México esses três ingredientes juntos: mulher, indígena e pobre.
DE: Pablo Ordaz
TRadução:Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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Terça-feira, 23 de Junho de 2009
De país ‘do futuro’, Brasil se tornou ‘país do presente’, diz editor da ‘Economist’
Michael Reid lançou no país livro sobre a AL. Para jornalista, país ganhou reconhecimento em comércio e diplomacia
Autor do recém-lançado “O continente esquecido – a batalha pela alma latino-americana” (Editora Campus/Elsevier, R$ 92), o jornalista Michael Reid, editor para as Américas da revista britânica “The Economist”, percebe uma clara mudança da imagem do país no cenário mundial.
“O Brasil deixou finalmente de ser o país do futuro para ser o país do presente, fazendo frente às expectativas”, afirmou, em entrevista ao G1, por telefone, desde Londres.
Reid, que cobre assuntos relacionados à América Latina há mais de duas décadas e morou em São Paulo por três anos, nos anos 90, afirma que o governo Lula tem se mostrando “mais assertivo internacionalmente”.
Para ele, o Brasil tem sido reconhecido em áreas como comércio e diplomacia, ganhando contenciosos na Organização Mundial do Comércio (OMC) e exigindo mais espaço em organizações como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e em agências da Organização das Nações Unidas (ONU).
O editor da “The Economist” diz também que, embora a sigla BRIC (grupo de países emergentes que reúne Brasil, China, Índia e Rússia) tenha elementos de uma ferramenta de marketing, o país se tornou um mercado cada vez mais importante para diversas nações. Além disso, ao longo dos próximos 20 anos, diz ele, o Brasil terá papel importante dentro da economia mundial.
Efeito Chávez
Apesar de o Brasil ter se tornado mais importante economicamente nos últimos anos, o especialista em América Latina diz que, na hora de fazer “barulho” no cenário internacional, o personagem principal da região é o venezuelano Hugo Chávez, e não o brasileiro Lula.
Um dos argumentos do livro, aliás, é justamente esse: Chávez não representa as mudanças mais importantes que ocorreram recentemente na América Latina.
“Há uma mudança (mais) importante, que é a a gradual emergência e consolidação de democracias estáveis e economias de mercado”, diz Michael Reid, citando os exemplos de Brasil, Chile, México e Colômbia.
A associação entre Chávez e a América Latina é tanta que, inicialmente, o editor do livro do jornalista na América do Norte queria que o líder venezuelano tomasse a capa de “O continente esquecido”.
Depois de alguma negociação, o jornalista conseguiu um compromisso: na edição em inglês, o livro traz uma fotografia dos edifícios de São Paulo em contraponto com a imagem de Hugo Chávez discursando em uma favela.
Na edição brasileira, a referência a Chávez desapareceu: a capa é dividida entre edifícios modernos de uma grande metrópole e as favelas ainda muito comuns nos países latino-americanos.
Brasil e Venezuela
No que diz respeito à Venezuela, o jornalista diz que o Brasil terá que, no curto prazo, tomar uma decisão sobre a natureza de sua relação com o país. “Chávez tem um projeto de longo prazo e existe um risco real de que o país deixe de ser uma democracia”, ressaltou Reid.
Ele lembra que, ao contrário de seus aliados mais próximos – como o boliviano Evo Morales e o equatoriano Rafael Correa – Chávez tem formação militar, o que pode ser considerado como uma ameaça extra aos direitos dos cidadãos. “Acho que a administração Lula tem se iludido sobre Chávez.”
O editor da “The Economist” também ressaltou também que as economias de mercado latino-americanas se adiantaram à crise mundial, implantando maior regulação em suas instituições financeiras.
A medida, antes criticada, virou regra nos países desenvolvidos depois que muitos bancos fizeram empréstimos sem lastro financeiro para uma eventual onda de inadimplência. “A regulação nos sistema financeiro é atualmente o novo consenso.”
Argentina
Entre outros “estudos de caso” da América Latina, Michael Reid cita a Argentina e o México. A economia argentina sofre, segundo ele, de uma histórica descontinuidade. Além disso, o país, de tempos em tempos, flerta “perigosamente” com o populismo. Isso faz com que o desenvolvimento da Argentina venha em ondas: expansões seguidas de períodos difíceis.
Neste momento de crise, o país enfrenta mais uma encruzilhada, pois, segundo ele, não fez o dever de casa para se proteger de um período de vacas magras.
“Depois do colapso da economia, (…) a Argentina enfrenta um novo período difícil”, ressaltou o jornalista, lembrando que o país não mexeu nas políticas fiscal e tributária e negligenciou a educação durante o curto período de expansão dos últimos anos.
México
No caso do México, Reid diz que a forte dependência dos Estados Unidos e a manutenção de monopólios pouco eficientes – como a Pemex, descrita por ele como “bem menos eficiente que a Petrobras” – impedem que o país aproveite melhor as reformas já feitas em seu mercado.
“Esses monopólios levam à falta de competição e inovação”, diz o jornalista. O país que deve ter uma forte recessão neste ano, com retração de 3,7%, segundo o FMI. Para o ano que vem, a economia mexicana deve voltar a crescer, com expansão prevista de 1%.
Entretanto, ele diz que o México está bem equipado para uma eventual retomada da atividade econômica, beneficiando-se naturalmente de uma recuperação mais rápida dos Estados Unidos.
“(O país) tem um formato econômico forte, regras claras para a economia e suas instituições vão muito bem, embora mais reformas estruturais sejam necessárias.”
FONTE: G1 / COLABOROU: José Adriano
Autor do recém-lançado “O continente esquecido – a batalha pela alma latino-americana” (Editora Campus/Elsevier, R$ 92), o jornalista Michael Reid, editor para as Américas da revista britânica “The Economist”, percebe uma clara mudança da imagem do país no cenário mundial.
“O Brasil deixou finalmente de ser o país do futuro para ser o país do presente, fazendo frente às expectativas”, afirmou, em entrevista ao G1, por telefone, desde Londres.
Reid, que cobre assuntos relacionados à América Latina há mais de duas décadas e morou em São Paulo por três anos, nos anos 90, afirma que o governo Lula tem se mostrando “mais assertivo internacionalmente”.
Para ele, o Brasil tem sido reconhecido em áreas como comércio e diplomacia, ganhando contenciosos na Organização Mundial do Comércio (OMC) e exigindo mais espaço em organizações como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e em agências da Organização das Nações Unidas (ONU).
O editor da “The Economist” diz também que, embora a sigla BRIC (grupo de países emergentes que reúne Brasil, China, Índia e Rússia) tenha elementos de uma ferramenta de marketing, o país se tornou um mercado cada vez mais importante para diversas nações. Além disso, ao longo dos próximos 20 anos, diz ele, o Brasil terá papel importante dentro da economia mundial.
Efeito Chávez
Apesar de o Brasil ter se tornado mais importante economicamente nos últimos anos, o especialista em América Latina diz que, na hora de fazer “barulho” no cenário internacional, o personagem principal da região é o venezuelano Hugo Chávez, e não o brasileiro Lula.
Um dos argumentos do livro, aliás, é justamente esse: Chávez não representa as mudanças mais importantes que ocorreram recentemente na América Latina.
“Há uma mudança (mais) importante, que é a a gradual emergência e consolidação de democracias estáveis e economias de mercado”, diz Michael Reid, citando os exemplos de Brasil, Chile, México e Colômbia.
A associação entre Chávez e a América Latina é tanta que, inicialmente, o editor do livro do jornalista na América do Norte queria que o líder venezuelano tomasse a capa de “O continente esquecido”.
Depois de alguma negociação, o jornalista conseguiu um compromisso: na edição em inglês, o livro traz uma fotografia dos edifícios de São Paulo em contraponto com a imagem de Hugo Chávez discursando em uma favela.
Na edição brasileira, a referência a Chávez desapareceu: a capa é dividida entre edifícios modernos de uma grande metrópole e as favelas ainda muito comuns nos países latino-americanos.
Brasil e Venezuela
No que diz respeito à Venezuela, o jornalista diz que o Brasil terá que, no curto prazo, tomar uma decisão sobre a natureza de sua relação com o país. “Chávez tem um projeto de longo prazo e existe um risco real de que o país deixe de ser uma democracia”, ressaltou Reid.
Ele lembra que, ao contrário de seus aliados mais próximos – como o boliviano Evo Morales e o equatoriano Rafael Correa – Chávez tem formação militar, o que pode ser considerado como uma ameaça extra aos direitos dos cidadãos. “Acho que a administração Lula tem se iludido sobre Chávez.”
O editor da “The Economist” também ressaltou também que as economias de mercado latino-americanas se adiantaram à crise mundial, implantando maior regulação em suas instituições financeiras.
A medida, antes criticada, virou regra nos países desenvolvidos depois que muitos bancos fizeram empréstimos sem lastro financeiro para uma eventual onda de inadimplência. “A regulação nos sistema financeiro é atualmente o novo consenso.”
Argentina
Entre outros “estudos de caso” da América Latina, Michael Reid cita a Argentina e o México. A economia argentina sofre, segundo ele, de uma histórica descontinuidade. Além disso, o país, de tempos em tempos, flerta “perigosamente” com o populismo. Isso faz com que o desenvolvimento da Argentina venha em ondas: expansões seguidas de períodos difíceis.
Neste momento de crise, o país enfrenta mais uma encruzilhada, pois, segundo ele, não fez o dever de casa para se proteger de um período de vacas magras.
“Depois do colapso da economia, (…) a Argentina enfrenta um novo período difícil”, ressaltou o jornalista, lembrando que o país não mexeu nas políticas fiscal e tributária e negligenciou a educação durante o curto período de expansão dos últimos anos.
México
No caso do México, Reid diz que a forte dependência dos Estados Unidos e a manutenção de monopólios pouco eficientes – como a Pemex, descrita por ele como “bem menos eficiente que a Petrobras” – impedem que o país aproveite melhor as reformas já feitas em seu mercado.
“Esses monopólios levam à falta de competição e inovação”, diz o jornalista. O país que deve ter uma forte recessão neste ano, com retração de 3,7%, segundo o FMI. Para o ano que vem, a economia mexicana deve voltar a crescer, com expansão prevista de 1%.
Entretanto, ele diz que o México está bem equipado para uma eventual retomada da atividade econômica, beneficiando-se naturalmente de uma recuperação mais rápida dos Estados Unidos.
“(O país) tem um formato econômico forte, regras claras para a economia e suas instituições vão muito bem, embora mais reformas estruturais sejam necessárias.”
FONTE: G1 / COLABOROU: José Adriano
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Terça-feira, Junho 23, 2009
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Sábado, 20 de Junho de 2009
A dura vida de um fotógrafo…
Apesar de fugir do tema central do meu blog, não poderia deixar de compartilhar com os amigos estas fotos.
O que se segue é uma série de situações engraçadas e incomuns nas quais fotógrafos (e das suas artes) encontrar-se, em busca de que do angulo perfeito.
A profissão não é moleza. Só olhando para resultado, fica difícil imaginar o trabalho que o clique dá. Qualquer um pode, com os onipresentes celulares e câmeras digitais, tirar uma bela foto. Mas quantos são capazes de fazer tudo por ela? O site Dark Roasted Blend fez uma bela coleção de fotos de fotógrafos, provavelmente tiradas por colegas que pensavam algo como “O que diabos você está fazendo???”. Aí estão alguns exemplos:























O que se segue é uma série de situações engraçadas e incomuns nas quais fotógrafos (e das suas artes) encontrar-se, em busca de que do angulo perfeito.
A profissão não é moleza. Só olhando para resultado, fica difícil imaginar o trabalho que o clique dá. Qualquer um pode, com os onipresentes celulares e câmeras digitais, tirar uma bela foto. Mas quantos são capazes de fazer tudo por ela? O site Dark Roasted Blend fez uma bela coleção de fotos de fotógrafos, provavelmente tiradas por colegas que pensavam algo como “O que diabos você está fazendo???”. Aí estão alguns exemplos:






















Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
ZabaZuba Entrevistado do Dia
Olá Amigos!!
Hoje dia 19 de junho de 2009, as 21 horas o site/blog ZabaZuba apresentara na seção ZabaZuba Entrevistado do Dia, minha entrevista.
Convido a todos a lerem e comentarem.
O link para o site é:
http://www.zabazuba.com
http://www.zabazuba.com/?cat=1724
Leiam e divulgue.
Grato!!
José Carlos
Hoje dia 19 de junho de 2009, as 21 horas o site/blog ZabaZuba apresentara na seção ZabaZuba Entrevistado do Dia, minha entrevista.
Convido a todos a lerem e comentarem.
O link para o site é:
http://www.zabazuba.com
http://www.zabazuba.com/?cat=1724
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Grato!!
José Carlos
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Sexta-feira, Junho 19, 2009
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Segunda-feira, 15 de Junho de 2009
Jobim diz que Brasil precisa pensar grande para ser respeitado no mundo
“Temos que pensar grande”. A frase foi empregada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, para dar o tom das relações do Brasil com os demais países. Em entrevista de uma hora, concedida à Agência Brasil no dia em que o Ministério da Defesa completou dez anos, Jobim disse que o país tem autoridade moral perante a comunidade internacional.
Segundo ele, não há possibilidade de serem exigidas do Brasil, no cenário internacional, posições contrárias a seus interesses, como já ocorreu no passado. “Só fazemos o que nos interessa”, disse Jobim, ressaltando que defesa não é mais assunto exclusivo dos militares, e sim política de governo. “O assunto está na mesa do presidente [Luiz Inácio Lula da Silva] e do Congresso Nacional.”
Jobim também comentou a operação de resgate dos destroços do avião da Air France, que caiu no Oceano Atlântico há mais de duas semanas. Segundo ele, a operação trouxe ensinamentos para o país. Um deles é a necessidade de uma base naval no Norte do país. “A base naval brasileira hoje é exclusivamente no Rio de Janeiro. Temos que estabelecer uma base no Norte”, considerou.
Leia, a seguir, a primeira parte da entrevista:
Agência Brasil: Como foi a criação do Ministério da Defesa?
Nelson Jobim: Criado em 1999, o Ministério da Defesa teve um início um pouco complicado. Dois personagens foram importantes na criação do ministério, os generais Alberto Cardoso [chefe do Gabinete de Segurança Institucional no governo Fernando Henrique] e Benedito Leonel, que era o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. Com a criação do ministério e de seus comandos, encerrou-se o processo de transição. Do fim do governo Fernando Henrique ao início do governo Lula, começou o processo de consolidação democrática, que se dá pela subordinação dos militares à autoridade civil, princípio estabelecido na criação do Ministério da Defesa, e com a definição das políticas. Um momento importantíssimo de consolidação nesses dez anos foi a aprovação, pelo presidente Lula, do Plano – que levamos um ano elaborando – de Estratégia Nacional de Defesa.
ABr: Quais são as prioridades definidas na Estratégia Nacional de Defesa?
Jobim: São três grandes prioridades: a primeira é reorientar e reorganizar as Forças Armadas; a segunda, privilegiar a indústria nacional de defesa; e a terceira, tratar da questão do efetivo militar, do serviço militar obrigatório. Por decisão política do presidente Lula, adotou-se uma visão diferenciada em relação ao Exército, à Marinha e à Aeronáutica. Nosso problema não são os inimigos – o Brasil não tem inimigos e não tem nenhum problema de fronteira. Estes foram resolvidos até o início do Século 20.
Abr: Então, qual a estratégia para as Forças Armadas?
Jobim: Hoje, a Defesa precisa se capacitar na grande estratégia decisória. Temos dois elementos fundamentais da estratégia: primeiro, um enorme país, com águas jurisdicionais em torno de 4,5 milhões de quilômetros quadrados, com extensão das 200 milhas para 350 milhas, por meio da fixação da borda externa da plataforma continental brasileira. Com isso, temos um dado real: é impossível a presença do Exército, da Marinha e Aeronáutica em todo o território nacional. Aí, é preciso fazer opções, e a opção básica é monitoramento e controle. O presidente da República fixa na Defesa o monitoramento e o controle como primeiro elemento estratégico para todo o conjunto. Depois, vem a mobilidade, porque leva a presença. São milhares de quilômetros de fronteira, inclusive na Amazônia, onde temos de estar presentes. As prioridades para a Amazônia são presença e monitoramento. No geral, temos o monitoramento, mobilidade e presença. O monitoramento é feito a partir do espaço. Daí a importância do desenvolvimento do Projeto Alcântara [no Maranhão] de lançamento de satélites brasileiros para monitoramento do território e das águas. Não há como enxergar isso, a não ser do espaço, que precisa ser monitorado, com os soldados comunicando-se com suas Forças e as Forças entre si. Daí, uma mudança fundamental prevista na Estratégia Nacional de Defesa, que é o fortalecimento do Ministério da Defesa, com a criação do Estado-Maior Conjunto da Defesa.
ABr: E como vai ser a atuação desse estado-maior da Defesa?
Jobim: Vai fazer a integração das chefias de estado-maior das diversas Forças para sairmos do modelo de ações singulares e passarmos a ações conjuntas. Se o monitoramento é a nossa necessidade, e a mobilidade para a presença é uma condição, a mobilidade tem de ser concedida pela Força Aérea. A ideia é usar os pelotões de fronteira na Amazônia e, no Exército, o módulo brigada, que se compõe de um complexo com capacidade de deslocamento rápido, como temos em Goiânia e no Rio de Janeiro. O trabalho conjunto das Forças é fundamental. A Marinha, pelas suas funções básicas: de monitoramento, de controle, pela projeção de poder e negação do uso do mar. Mas não existiam condições de ter centros de competência nas três Forças. Se tratássemos as três modalidade de forma igual, teríamos mediocridade em cada uma delas. Depois de uma longa discussão, fixamos como prioridade da Marinha – e o presidente aprovou – a negação do uso do mar. Daí a estratégia da Marinha priorizando a negação do uso do mar, combinada com as demais formas.
ABr: Com isso, quais as necessidades que serão colocadas para as Forças Armadas?
Jobim: Se existe necessidade de mobilidade e de ações conjuntas, a Força Aérea precisa de uma estrutura de deslocamento rápido. A aposta do Brasil é no projeto KC 390 da Embraer [Empresa Brasileira de Aeronáutica], um substitutivo do avião C-130, conhecido como Hércules, que tem capacidade para transportar 19 toneladas. Temos um projeto com a França para construção do helicóptero 725. O raciocínio é de desenvolvimento da indústria nacional. Por isso, o helicóptero vai ser feito no Brasil, assim como há um projeto de construção de um submarino. Vamos construir no país os mecanismo de transportes.
ABr: O senhor fez uma redesenho do papel e da atuação das Forças Armadas. Isso implicará aumento de demanda de recursos orçamentários?
Jobim: Temos algumas avaliações sobre os recursos necessários para construção dos submarinos, que vão custar de 6,6 milhões a 6,7 milhões de euros (Nota do Blog: na verdade são bilhões), mas é bom ressaltar que se trata de um projeto de 25 anos. Além do projeto dos helicópteros com financiamento francês, temos o do novo Urutu 3, carro de combate que está sendo desenvolvido pela Fiat Iveco, em Sete Lagoas, Minas Gerais. Tudo isso requer investimento orçamentário, mas não é no orçamento deste ano ou do ano que vem. Estou falando de longo prazo. A questão fundamental é que, até então, as ações e programas eram definidos pelos militares. Eram programas meramente setoriais e não havia comprometimento do governo com eles, uma vez que nós, civis, não queríamos saber de Defesa. Lembro bem disso na Constituinte de 1988: falar em Defesa era falar em perseguição política. Esse tempo já passou, está superado. Agora, o poder civil assume sua função na estrutura de Defesa e, com isso, as ações de defesa deixam de ser setoriais e passam ser programas de governo. Muda inclusiva a visão do problema orçamentário. O presidente da República já assinou o contrato dos helicópteros e do submarino. E assinaremos, em 7 de setembro, com a visita do presidente [Nicolas] Sarkozy, os contratos finais. Estou indo à França na segunda-feira (15) para acertar alguns detalhes.
ABr: Hoje [ontem] o senhor esteve com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, tratando dessa operação do submarino. O que ficou decidido?
Jobim: A aquisição do submarino não depende apenas de recursos orçamentários, é uma operação de financiamento internacional. Tem um PL [projeto de lei] em um crédito especial, que será enviado ao Congresso, e também uma alteração de resolução da Cofiex [Comissão de Financiamento das Exportações]. Tratei com o ministro do Planejamento dos problemas de contingenciamento de recursos orçamentários. No caso dos helicópteros e do submarino, nosso prazo é 7 de setembro. Quem vai financiar a parte francesa é um conjunto de bancos. Esse problema está equacionado. O que temos que equacionar este ano, em que há uma restrição orçamentária forte, devido à queda da arrecadação, é a necessidade de alargar alguns prazos. A grande percepção é que a Defesa não é mais um assunto exclusivo dos militares. O assunto está na mesa do presidente e do Congresso Nacional. No caso da indústria da defesa, teremos que alterar a legislação. Vamos ter que criar uma política da indústria de defesa do Brasil.
ABr: E quais serão essas políticas?
Jobim: Deverá ter diferenciação na questão das contas públicas. Hoje não podemos, por exemplo, colocar chineses concorrendo com empresas brasileiras. Precisamos incentivar o desenvolvimento da indústria nacional. E tem algo que está na base disso tudo, que é a integração dos institutos de pesquisas militares entre si e com as universidades.
ABr: Temos tecnologia e estrutura industrial para esse desafio?
Jobim: Temos. Os empresários estão animados. Temos que pensar que é na indústria da defesa que se fazem as grandes pesquisas. Evidentemente, a indústria da defesa não vive de vendas ao Estado, mas ela tem um braço de defesa, e esse braço de defesa é que viabiliza as pesquisas para investimento e desenvolvimento na parte civil.
ABr: Nós temos indústria de aço e outras indústrias que vão servir de matéria-prima. É com essas empresas que se pretende contar?
Jobim: Não estamos falando só dos insumos, das commodities [matérias-primas com cotação internacional] de maneira geral. Estamos falando também de tecnologia. Por exemplo, o Brasil tem urânio e capacidade de fazer o enriquecimento do urânio. Ou seja, essa tecnologia nós dominamos.
ABr: Na operação de resgate dos destroços do avião da Air France, as Forças Armadas deram uma grande demonstração de logística. Pouca gente tinha ideia do que era uma operação a 1.300 quilômetros da costa. Qual foi o aprendizado nessa operação conjunta?
Jobim: Quando ocorreu o acidente, eu estava na Namíbia. Antecipei a volta ao Brasil e fui diretamente para Recife, onde me reuni com a Marinha e a FAB [Força Aérea Brasileira] lá no Cindacta 3 [3º Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo] para examinar a situação. A FAB já tinha montado todo o processo logístico, e foi definido o programa da Marinha. A montagem de tudo mostra que temos capacidade, cabeça. Mostramos agilidade, integração e capacidade decisória. A primeira coisa que se esclareceu na reunião foi que temos um compromisso internacional de salvamento e resgate na área do chamado ACC Atlântico [centro de controle de voo responsável pelas rotas oceânicas], que já é além das nossas águas territoriais, onde ocorreu o acidente. Com isso, o custo para o cumprimento desse compromisso é nosso.A operação mostrou também que precisamos ter uma base naval no Norte do país. A base naval brasileira hoje é exclusivamente no Rio de Janeiro. Temos que estabelecer uma base no Norte, tanto que uma das fragatas que se encontra operação saiu de Natal, no Rio Grande do Norte.
ABr: Qual é o custo de uma operação dessas?
Jobim: Ainda não tenho esse custo. Como eu estou indo à França, pedi um levantamento aos nossos comandos da Marinha e da Aeronáutica. Já temos cerca de 100 horas de voo. Pedi também o número de milhas percorridas pelos navios. Na operação, contamos com 12 aeronaves, sendo dois helicópteros. O acerto que se tem é que, para o resgate de corpos, que são trazidos pelos navios da Marinha até 250 milhas de Fernando de Noronha e de lá são resgatados pelos helicópteros. Outra informação do Comando da Marinha é que já estão aparecendo corpos além da área sob responsabilidade brasileira, ou seja, já sob a responsabilidade de Dacar [capital do Senegal]. Mesmo assim, esses corpos estão sendo resgatados, e a operação continua.
ABr: Tudo que foi feito na operação de resgate dos corpos também demonstrou que as Forças Armadas precisam se modernizar em termos de equipamentos, ter embarcações mais ágeis, por exemplo. Precisam de uma tecnologia mais avançada?
Jobim: A operação mostrou que precisamos nos capacitar mais, ter mais R99 [avião da FAB equipado com radar], que é vital. Precisamos também desse projeto de fabricação dos helicópteros, que é fundamental, o do Super Cougar. Temos intenção de produzir no Brasil 50 Super Cougar. A estratégia para o equipamento das Forças está vinculada à capacitação nacional. Isso significa um enorme arrasto de tecnologia para o país.
ABr: E como está a nossa imagem internacional? O senhor acha que mudou a percepção sobre o Brasil?
Jobim: Não tenho dúvida disso. Hoje o Brasil tem o respeito dos demais países por sua capacidade de organização. Um exemplo é que nós praticamente organizamos a Força Naval da Namíbia. Quando fui à Namíbia, foi curioso ver que, no país, cuja língua é o inglês, grande parte da Marinha fala português. Isso porque, entre marinheiros e oficiais, 146 pessoas estudaram na Academia Militar do Rio de Janeiro. É evidente que isso nos exige pensar grande. Se pensarmos pequeno, nos encasulamos. O mundo está nos chamando a pensar grande. É um momento em que necessitamos ser audazes para avançar. Pensar grande é pensar como uma nação. Não tem mais isso de conversar com o presidente Obama [Barack Obama, presidente dos Estados Unidos] como se fôssemos sênior e júnior. É olho no olho. Não há nenhuma possibilidade de exigir do Brasil posições que não interessem ao país. Só fazemos o que nos interessa e temos autoridade moral para isso.
Fonte: Jornal de Brasília
Segundo ele, não há possibilidade de serem exigidas do Brasil, no cenário internacional, posições contrárias a seus interesses, como já ocorreu no passado. “Só fazemos o que nos interessa”, disse Jobim, ressaltando que defesa não é mais assunto exclusivo dos militares, e sim política de governo. “O assunto está na mesa do presidente [Luiz Inácio Lula da Silva] e do Congresso Nacional.”
Jobim também comentou a operação de resgate dos destroços do avião da Air France, que caiu no Oceano Atlântico há mais de duas semanas. Segundo ele, a operação trouxe ensinamentos para o país. Um deles é a necessidade de uma base naval no Norte do país. “A base naval brasileira hoje é exclusivamente no Rio de Janeiro. Temos que estabelecer uma base no Norte”, considerou.
Leia, a seguir, a primeira parte da entrevista:
Agência Brasil: Como foi a criação do Ministério da Defesa?
Nelson Jobim: Criado em 1999, o Ministério da Defesa teve um início um pouco complicado. Dois personagens foram importantes na criação do ministério, os generais Alberto Cardoso [chefe do Gabinete de Segurança Institucional no governo Fernando Henrique] e Benedito Leonel, que era o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. Com a criação do ministério e de seus comandos, encerrou-se o processo de transição. Do fim do governo Fernando Henrique ao início do governo Lula, começou o processo de consolidação democrática, que se dá pela subordinação dos militares à autoridade civil, princípio estabelecido na criação do Ministério da Defesa, e com a definição das políticas. Um momento importantíssimo de consolidação nesses dez anos foi a aprovação, pelo presidente Lula, do Plano – que levamos um ano elaborando – de Estratégia Nacional de Defesa.
ABr: Quais são as prioridades definidas na Estratégia Nacional de Defesa?
Jobim: São três grandes prioridades: a primeira é reorientar e reorganizar as Forças Armadas; a segunda, privilegiar a indústria nacional de defesa; e a terceira, tratar da questão do efetivo militar, do serviço militar obrigatório. Por decisão política do presidente Lula, adotou-se uma visão diferenciada em relação ao Exército, à Marinha e à Aeronáutica. Nosso problema não são os inimigos – o Brasil não tem inimigos e não tem nenhum problema de fronteira. Estes foram resolvidos até o início do Século 20.
Abr: Então, qual a estratégia para as Forças Armadas?
Jobim: Hoje, a Defesa precisa se capacitar na grande estratégia decisória. Temos dois elementos fundamentais da estratégia: primeiro, um enorme país, com águas jurisdicionais em torno de 4,5 milhões de quilômetros quadrados, com extensão das 200 milhas para 350 milhas, por meio da fixação da borda externa da plataforma continental brasileira. Com isso, temos um dado real: é impossível a presença do Exército, da Marinha e Aeronáutica em todo o território nacional. Aí, é preciso fazer opções, e a opção básica é monitoramento e controle. O presidente da República fixa na Defesa o monitoramento e o controle como primeiro elemento estratégico para todo o conjunto. Depois, vem a mobilidade, porque leva a presença. São milhares de quilômetros de fronteira, inclusive na Amazônia, onde temos de estar presentes. As prioridades para a Amazônia são presença e monitoramento. No geral, temos o monitoramento, mobilidade e presença. O monitoramento é feito a partir do espaço. Daí a importância do desenvolvimento do Projeto Alcântara [no Maranhão] de lançamento de satélites brasileiros para monitoramento do território e das águas. Não há como enxergar isso, a não ser do espaço, que precisa ser monitorado, com os soldados comunicando-se com suas Forças e as Forças entre si. Daí, uma mudança fundamental prevista na Estratégia Nacional de Defesa, que é o fortalecimento do Ministério da Defesa, com a criação do Estado-Maior Conjunto da Defesa.
ABr: E como vai ser a atuação desse estado-maior da Defesa?
Jobim: Vai fazer a integração das chefias de estado-maior das diversas Forças para sairmos do modelo de ações singulares e passarmos a ações conjuntas. Se o monitoramento é a nossa necessidade, e a mobilidade para a presença é uma condição, a mobilidade tem de ser concedida pela Força Aérea. A ideia é usar os pelotões de fronteira na Amazônia e, no Exército, o módulo brigada, que se compõe de um complexo com capacidade de deslocamento rápido, como temos em Goiânia e no Rio de Janeiro. O trabalho conjunto das Forças é fundamental. A Marinha, pelas suas funções básicas: de monitoramento, de controle, pela projeção de poder e negação do uso do mar. Mas não existiam condições de ter centros de competência nas três Forças. Se tratássemos as três modalidade de forma igual, teríamos mediocridade em cada uma delas. Depois de uma longa discussão, fixamos como prioridade da Marinha – e o presidente aprovou – a negação do uso do mar. Daí a estratégia da Marinha priorizando a negação do uso do mar, combinada com as demais formas.
ABr: Com isso, quais as necessidades que serão colocadas para as Forças Armadas?
Jobim: Se existe necessidade de mobilidade e de ações conjuntas, a Força Aérea precisa de uma estrutura de deslocamento rápido. A aposta do Brasil é no projeto KC 390 da Embraer [Empresa Brasileira de Aeronáutica], um substitutivo do avião C-130, conhecido como Hércules, que tem capacidade para transportar 19 toneladas. Temos um projeto com a França para construção do helicóptero 725. O raciocínio é de desenvolvimento da indústria nacional. Por isso, o helicóptero vai ser feito no Brasil, assim como há um projeto de construção de um submarino. Vamos construir no país os mecanismo de transportes.
ABr: O senhor fez uma redesenho do papel e da atuação das Forças Armadas. Isso implicará aumento de demanda de recursos orçamentários?
Jobim: Temos algumas avaliações sobre os recursos necessários para construção dos submarinos, que vão custar de 6,6 milhões a 6,7 milhões de euros (Nota do Blog: na verdade são bilhões), mas é bom ressaltar que se trata de um projeto de 25 anos. Além do projeto dos helicópteros com financiamento francês, temos o do novo Urutu 3, carro de combate que está sendo desenvolvido pela Fiat Iveco, em Sete Lagoas, Minas Gerais. Tudo isso requer investimento orçamentário, mas não é no orçamento deste ano ou do ano que vem. Estou falando de longo prazo. A questão fundamental é que, até então, as ações e programas eram definidos pelos militares. Eram programas meramente setoriais e não havia comprometimento do governo com eles, uma vez que nós, civis, não queríamos saber de Defesa. Lembro bem disso na Constituinte de 1988: falar em Defesa era falar em perseguição política. Esse tempo já passou, está superado. Agora, o poder civil assume sua função na estrutura de Defesa e, com isso, as ações de defesa deixam de ser setoriais e passam ser programas de governo. Muda inclusiva a visão do problema orçamentário. O presidente da República já assinou o contrato dos helicópteros e do submarino. E assinaremos, em 7 de setembro, com a visita do presidente [Nicolas] Sarkozy, os contratos finais. Estou indo à França na segunda-feira (15) para acertar alguns detalhes.
ABr: Hoje [ontem] o senhor esteve com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, tratando dessa operação do submarino. O que ficou decidido?
Jobim: A aquisição do submarino não depende apenas de recursos orçamentários, é uma operação de financiamento internacional. Tem um PL [projeto de lei] em um crédito especial, que será enviado ao Congresso, e também uma alteração de resolução da Cofiex [Comissão de Financiamento das Exportações]. Tratei com o ministro do Planejamento dos problemas de contingenciamento de recursos orçamentários. No caso dos helicópteros e do submarino, nosso prazo é 7 de setembro. Quem vai financiar a parte francesa é um conjunto de bancos. Esse problema está equacionado. O que temos que equacionar este ano, em que há uma restrição orçamentária forte, devido à queda da arrecadação, é a necessidade de alargar alguns prazos. A grande percepção é que a Defesa não é mais um assunto exclusivo dos militares. O assunto está na mesa do presidente e do Congresso Nacional. No caso da indústria da defesa, teremos que alterar a legislação. Vamos ter que criar uma política da indústria de defesa do Brasil.
ABr: E quais serão essas políticas?
Jobim: Deverá ter diferenciação na questão das contas públicas. Hoje não podemos, por exemplo, colocar chineses concorrendo com empresas brasileiras. Precisamos incentivar o desenvolvimento da indústria nacional. E tem algo que está na base disso tudo, que é a integração dos institutos de pesquisas militares entre si e com as universidades.
ABr: Temos tecnologia e estrutura industrial para esse desafio?
Jobim: Temos. Os empresários estão animados. Temos que pensar que é na indústria da defesa que se fazem as grandes pesquisas. Evidentemente, a indústria da defesa não vive de vendas ao Estado, mas ela tem um braço de defesa, e esse braço de defesa é que viabiliza as pesquisas para investimento e desenvolvimento na parte civil.
ABr: Nós temos indústria de aço e outras indústrias que vão servir de matéria-prima. É com essas empresas que se pretende contar?
Jobim: Não estamos falando só dos insumos, das commodities [matérias-primas com cotação internacional] de maneira geral. Estamos falando também de tecnologia. Por exemplo, o Brasil tem urânio e capacidade de fazer o enriquecimento do urânio. Ou seja, essa tecnologia nós dominamos.
ABr: Na operação de resgate dos destroços do avião da Air France, as Forças Armadas deram uma grande demonstração de logística. Pouca gente tinha ideia do que era uma operação a 1.300 quilômetros da costa. Qual foi o aprendizado nessa operação conjunta?
Jobim: Quando ocorreu o acidente, eu estava na Namíbia. Antecipei a volta ao Brasil e fui diretamente para Recife, onde me reuni com a Marinha e a FAB [Força Aérea Brasileira] lá no Cindacta 3 [3º Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo] para examinar a situação. A FAB já tinha montado todo o processo logístico, e foi definido o programa da Marinha. A montagem de tudo mostra que temos capacidade, cabeça. Mostramos agilidade, integração e capacidade decisória. A primeira coisa que se esclareceu na reunião foi que temos um compromisso internacional de salvamento e resgate na área do chamado ACC Atlântico [centro de controle de voo responsável pelas rotas oceânicas], que já é além das nossas águas territoriais, onde ocorreu o acidente. Com isso, o custo para o cumprimento desse compromisso é nosso.A operação mostrou também que precisamos ter uma base naval no Norte do país. A base naval brasileira hoje é exclusivamente no Rio de Janeiro. Temos que estabelecer uma base no Norte, tanto que uma das fragatas que se encontra operação saiu de Natal, no Rio Grande do Norte.
ABr: Qual é o custo de uma operação dessas?
Jobim: Ainda não tenho esse custo. Como eu estou indo à França, pedi um levantamento aos nossos comandos da Marinha e da Aeronáutica. Já temos cerca de 100 horas de voo. Pedi também o número de milhas percorridas pelos navios. Na operação, contamos com 12 aeronaves, sendo dois helicópteros. O acerto que se tem é que, para o resgate de corpos, que são trazidos pelos navios da Marinha até 250 milhas de Fernando de Noronha e de lá são resgatados pelos helicópteros. Outra informação do Comando da Marinha é que já estão aparecendo corpos além da área sob responsabilidade brasileira, ou seja, já sob a responsabilidade de Dacar [capital do Senegal]. Mesmo assim, esses corpos estão sendo resgatados, e a operação continua.
ABr: Tudo que foi feito na operação de resgate dos corpos também demonstrou que as Forças Armadas precisam se modernizar em termos de equipamentos, ter embarcações mais ágeis, por exemplo. Precisam de uma tecnologia mais avançada?
Jobim: A operação mostrou que precisamos nos capacitar mais, ter mais R99 [avião da FAB equipado com radar], que é vital. Precisamos também desse projeto de fabricação dos helicópteros, que é fundamental, o do Super Cougar. Temos intenção de produzir no Brasil 50 Super Cougar. A estratégia para o equipamento das Forças está vinculada à capacitação nacional. Isso significa um enorme arrasto de tecnologia para o país.
ABr: E como está a nossa imagem internacional? O senhor acha que mudou a percepção sobre o Brasil?
Jobim: Não tenho dúvida disso. Hoje o Brasil tem o respeito dos demais países por sua capacidade de organização. Um exemplo é que nós praticamente organizamos a Força Naval da Namíbia. Quando fui à Namíbia, foi curioso ver que, no país, cuja língua é o inglês, grande parte da Marinha fala português. Isso porque, entre marinheiros e oficiais, 146 pessoas estudaram na Academia Militar do Rio de Janeiro. É evidente que isso nos exige pensar grande. Se pensarmos pequeno, nos encasulamos. O mundo está nos chamando a pensar grande. É um momento em que necessitamos ser audazes para avançar. Pensar grande é pensar como uma nação. Não tem mais isso de conversar com o presidente Obama [Barack Obama, presidente dos Estados Unidos] como se fôssemos sênior e júnior. É olho no olho. Não há nenhuma possibilidade de exigir do Brasil posições que não interessem ao país. Só fazemos o que nos interessa e temos autoridade moral para isso.
Fonte: Jornal de Brasília
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Quinta-feira, 11 de Junho de 2009
Lula reitera promessa de reequipar Forças Armadas
Em mensagem encaminhada ao Comando da Marinha, em comemoração ao aniversário da Batalha Naval do Riachuelo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou a promessa de reequipar as Forças Armadas...
Cotidiano
Lula reitera promessa de reequipar Forças Armadas
Em mensagem encaminhada ao Comando da Marinha, em comemoração ao aniversário da Batalha Naval do Riachuelo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou a promessa de reequipar as Forças Armadas...
Em mensagem encaminhada ao Comando da Marinha, em comemoração ao aniversário da Batalha Naval do Riachuelo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou a promessa de reequipar as Forças Armadas para que elas possam atuar com mais eficácia seja na costa, nos rios e, particularmente, na Amazônia, que destacou, mais uma vez, é prioridade de seu governo. Lula ressaltou também a importância do acordo assinado com a França, no final do ano passado, para a construção do submarino de propulsão nuclear, outra prioridade de seu governo, dentro do reaparelhamento da Marinha.
"Reafirmo o meu compromisso de garantir a capacidade operativa de nossas Armas como um fator indispensável para o desenvolvimento do nosso País", disse o presidente, na mensagem encaminhada à Marinha. Lula, que havia agendado estar presente à cerimônia, cancelou a ida ao Grupamento de Fuzileiros Navais, pedindo ao vice José Alencar para representá-lo. De acordo com o presidente, "a Estratégia Nacional de Defesa balizará a obtenção dos meios e equipamentos necessários para atuarmos com ainda mais eficiência no Atlântico Sul e nos pontos significativos de nosso território, especialmente a Amazônia".
Por sua vez, o comandante da Marinha, almirante Júlio Soares Moura Neto, informou que a ideia é que, no ano que vem, o Brasil já comece o desenvolvimento do projeto e construção do submarino de propulsão nuclear. Ele lembrou que a construção do submarino não depende do Orçamento da União e, portanto, não está sujeito a cortes. A construção será feita com recursos de financiamento externo, que ainda estão em fase de negociação.
Cotidiano
Lula reitera promessa de reequipar Forças Armadas
Em mensagem encaminhada ao Comando da Marinha, em comemoração ao aniversário da Batalha Naval do Riachuelo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou a promessa de reequipar as Forças Armadas...
Em mensagem encaminhada ao Comando da Marinha, em comemoração ao aniversário da Batalha Naval do Riachuelo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou a promessa de reequipar as Forças Armadas para que elas possam atuar com mais eficácia seja na costa, nos rios e, particularmente, na Amazônia, que destacou, mais uma vez, é prioridade de seu governo. Lula ressaltou também a importância do acordo assinado com a França, no final do ano passado, para a construção do submarino de propulsão nuclear, outra prioridade de seu governo, dentro do reaparelhamento da Marinha.
"Reafirmo o meu compromisso de garantir a capacidade operativa de nossas Armas como um fator indispensável para o desenvolvimento do nosso País", disse o presidente, na mensagem encaminhada à Marinha. Lula, que havia agendado estar presente à cerimônia, cancelou a ida ao Grupamento de Fuzileiros Navais, pedindo ao vice José Alencar para representá-lo. De acordo com o presidente, "a Estratégia Nacional de Defesa balizará a obtenção dos meios e equipamentos necessários para atuarmos com ainda mais eficiência no Atlântico Sul e nos pontos significativos de nosso território, especialmente a Amazônia".
Por sua vez, o comandante da Marinha, almirante Júlio Soares Moura Neto, informou que a ideia é que, no ano que vem, o Brasil já comece o desenvolvimento do projeto e construção do submarino de propulsão nuclear. Ele lembrou que a construção do submarino não depende do Orçamento da União e, portanto, não está sujeito a cortes. A construção será feita com recursos de financiamento externo, que ainda estão em fase de negociação.
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José Carlos Batista
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Quinta-feira, Junho 11, 2009
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Ministro da Defesa diz que proposta de terceiro mandato é 'pseudotema'
Em encontro com empresários nesta segunda-feira (8), o ministro da Defesa, Nelson Jobim, chamou de "pseudotema" a proposta de consultar a população sobre um terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ministro se referia à proposta de emenda constitucional (PEC) que prevê um referendo para consultar a população sobre a ideia de terceiros mandatos no Poder Executivo (presidentes, governadores e prefeitos).
Segundo Jobim, para que Lula assumisse pela terceira vez consecutiva o comando do país, o projeto em forma de emenda constitucional deve ser votado e aprovado em dois turnos na Câmara e no Senado até setembro."Esse é o pseudotema".
A pergunta sobre o assunto foi feita durante almoço em um hotel de luxo na Zona Sul de São Paulo. O ministro foi questionado se as Forças Armadas deveriam emitir opinião sobre o assunto. Jobim, a quem os militares são subordinados, foi direto. "Não cabe às Forças Armadas opinar".
Em seguida, completou: "o presidente da República não quer (o terceiro mandato). O assunto está respondido", finalizou o ministro, que foi convidado para dar uma palestra sobre o setor aéreo.
O presidente Lula disse, anteriormente, que tem uma posição "definitiva" e contrária a respeito da proposta. "O Brasil é um país que tem pouco tempo de democracia. A alternância de poder é muito importante para o Brasil. Eu já fui oito anos presidente, ou seja, eu vou conversar com a base aliada porque eu não vejo sentido as pessoas ficarem discutindo o terceiro mandato", disse, na sexta-feira (5).
O ministro se referia à proposta de emenda constitucional (PEC) que prevê um referendo para consultar a população sobre a ideia de terceiros mandatos no Poder Executivo (presidentes, governadores e prefeitos).
Segundo Jobim, para que Lula assumisse pela terceira vez consecutiva o comando do país, o projeto em forma de emenda constitucional deve ser votado e aprovado em dois turnos na Câmara e no Senado até setembro."Esse é o pseudotema".
A pergunta sobre o assunto foi feita durante almoço em um hotel de luxo na Zona Sul de São Paulo. O ministro foi questionado se as Forças Armadas deveriam emitir opinião sobre o assunto. Jobim, a quem os militares são subordinados, foi direto. "Não cabe às Forças Armadas opinar".
Em seguida, completou: "o presidente da República não quer (o terceiro mandato). O assunto está respondido", finalizou o ministro, que foi convidado para dar uma palestra sobre o setor aéreo.
O presidente Lula disse, anteriormente, que tem uma posição "definitiva" e contrária a respeito da proposta. "O Brasil é um país que tem pouco tempo de democracia. A alternância de poder é muito importante para o Brasil. Eu já fui oito anos presidente, ou seja, eu vou conversar com a base aliada porque eu não vejo sentido as pessoas ficarem discutindo o terceiro mandato", disse, na sexta-feira (5).
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Quarta-feira, 10 de Junho de 2009
China Já Possui o Segundo Maior Orçamento Militar do Mundo
China é o 2º país que mais gasta em armas
EUA lideram lista com uma despesa militar de US$ 600 bilhões em 2008
Jamil Chade
O Instituto Estocolmo de Pesquisa Sobre Paz Internacional (Sipri, na sigla em inglês), referência mundial em dados sobre gastos militares, publicou ontem seu relatório anual, mostrando que a China já tem o segundo maior orçamento militar do mundo.
De acordo com o estudo, as despesas militares de todos os países somados atingiram um novo recorde em 2008: US$ 1,46 trilhão - um aumento de 45% nos últimos dez anos.
Segundo analistas do instituto, o governo do ex-presidente americano George W. Bush é o principal responsável por esse aumento sem precedentes, que superou até mesmo os números da Guerra Fria.
Apesar do crescimento dos gastos militares, o Sipri afirma que as ameaças à segurança e à paz se intensificaram e a crise financeira deve tornar o mundo ainda mais instável, o que terá um impacto importante na área de segurança.
Os EUA continuam líderes em gastos militares e representam 41,5% de tudo o que é gasto na compra de armas, pouco mais de US$ 600 bilhões ao ano. No total, o mundo gastou 2,4% de sua riqueza em 2008 com a compra de armas, o equivalente a US$ 217 per capita.
Bem atrás vem a China, que pela primeira vez aparece em segundo lugar na lista. Nos últimos dez anos, os chineses quadruplicaram seus investimentos na área e hoje arcam com 6% dos gastos globais e um total de US$ 85 bilhões.
Pequim também é o maior importador de armamento do mundo, comprando uma em cada dez armas que são exportadas anualmente - 92% delas vêm da Rússia. Mas a dependência de Moscou caiu nos últimos dois anos por causa de investimentos chineses no desenvolvimento de uma indústria bélica local.
No entanto, segundo o Sipri, boa parte da nova tecnologia militar da China tem sido desenvolvida por meio da cópia ilegal de componentes russos. Diante da pirataria bélica, os dois países decidiram adotar recentemente leis de propriedade intelectual também para a produção de armas.
No Oriente Médio, os gastos militares aumentaram por causa do avanço militar iraniano. A Arábia Saudita, por exemplo, já é o nono país que mais gasta com armas no mundo (US$ 38 bilhões) e Israel tornou-se a nação com maior gasto per capita, com US$ 2,3 mil para cada habitante - US$ 300 a mais que nos EUA.
“A ideia da guerra ao terror incentivou muitos países a olhar seus problemas pelo aspecto militar, usando isso para justificar o aumento de gastos no setor”, afirmou Sam Perlo-Freeman, chefe do projeto de gastos militares do Sipri.
Redução
De acordo com o relatório do Sipri, entre os 15 maiores orçamentos militares do mundo apenas a Alemanha e o Japão reduziram seus gastos na última década.
Desde 1999, os alemães diminuíram em 11% a compra de armas, enquanto o governo japonês gastou 1,7% a menos.
Brasil também aumenta gastos
Na América do Sul foram gastos no ano passado US$ 34 bilhões em armas - um aumento de 50% nos últimos dez anos. Para os analistas do Sipri, quem puxou a fila desse crescimento foram Brasil e Colômbia. De acordo com o instituto, o Brasil aumentou seus gastos porque “busca o status de potência regional”. Na verdade, a maior parte se destina à atualização do equipamento militar.
Hoje, o País tem o 12.º maior orçamento militar do planeta. Para o Sipri, na Colômbia o motivo do aumento foi o combate às Farc. Na Venezuela, o instituto diz que houve um “crescimento acelerado” dos gastos durante o governo de Hugo Chávez: aumento de 64%, o dobro do brasileiro, nos últimos dez anos.
hina Já Possui o Segundo Maior Orçamento Militar do Mundo
O Brasil ainda não gasta quase nada com Defesa, sabe-se que esse aumento nas despesas militares é mais motivado pela recuperação da massa salarial das Forças Armadas. O país teria gasto US$ 23,3 bilhões em 2008.
Quanto à China chegar ao segundo lugar, não chega a ser novidade, mas estimativas do Pentagono reportam que esse total de US$ 85 bilhões seja apenas a metade do gasto real chinês, algo que os elevaria a US$ 170 bilhões em 2008.
Esta é a lista do Sipri dos 15 países com maior gasto militar do mundo em 2008:
Gastos % Mundial Variação
————————————————–
(em bilhões de dólares) (1999-2008)
1. Estados Unidos 607,0 41,5 +66,5%
2. China* 84,9 5,8 +194,0%
3. França 65,7 4,5 +3,5%
4. Grã-Bretanha 65,3 4,5 +20,7%
5. Rússia* 58,6 4,0 +173,0%
6. Alemanha 46,8 3,2 -11,0%
7. Japão 46,3 3,2 -1,7%
8. Itália 40,6 2,8 +0,4%
9. Arábia Saudita 38,2 2,6 +81,5%
10. Índia 30,0 2,1 +44,1%
11. Coreia do Sul 24,2 1,7 +51,5%
12. Brasil 23,3 1,6 +29,9%
13. Canadá 19,3 1,3 +37,4%
14. Espanha 19,2 1,3 +37,7%
15. Austrália 18,4 1,3 +38,6%
TOTAL G15 1,188tri 81 não disponível
TOTAL MUNDO 1,464tri 100 +44,7%
(*): estimativa Sipri
EUA lideram lista com uma despesa militar de US$ 600 bilhões em 2008
Jamil Chade
O Instituto Estocolmo de Pesquisa Sobre Paz Internacional (Sipri, na sigla em inglês), referência mundial em dados sobre gastos militares, publicou ontem seu relatório anual, mostrando que a China já tem o segundo maior orçamento militar do mundo.
De acordo com o estudo, as despesas militares de todos os países somados atingiram um novo recorde em 2008: US$ 1,46 trilhão - um aumento de 45% nos últimos dez anos.
Segundo analistas do instituto, o governo do ex-presidente americano George W. Bush é o principal responsável por esse aumento sem precedentes, que superou até mesmo os números da Guerra Fria.
Apesar do crescimento dos gastos militares, o Sipri afirma que as ameaças à segurança e à paz se intensificaram e a crise financeira deve tornar o mundo ainda mais instável, o que terá um impacto importante na área de segurança.
Os EUA continuam líderes em gastos militares e representam 41,5% de tudo o que é gasto na compra de armas, pouco mais de US$ 600 bilhões ao ano. No total, o mundo gastou 2,4% de sua riqueza em 2008 com a compra de armas, o equivalente a US$ 217 per capita.
Bem atrás vem a China, que pela primeira vez aparece em segundo lugar na lista. Nos últimos dez anos, os chineses quadruplicaram seus investimentos na área e hoje arcam com 6% dos gastos globais e um total de US$ 85 bilhões.
Pequim também é o maior importador de armamento do mundo, comprando uma em cada dez armas que são exportadas anualmente - 92% delas vêm da Rússia. Mas a dependência de Moscou caiu nos últimos dois anos por causa de investimentos chineses no desenvolvimento de uma indústria bélica local.
No entanto, segundo o Sipri, boa parte da nova tecnologia militar da China tem sido desenvolvida por meio da cópia ilegal de componentes russos. Diante da pirataria bélica, os dois países decidiram adotar recentemente leis de propriedade intelectual também para a produção de armas.
No Oriente Médio, os gastos militares aumentaram por causa do avanço militar iraniano. A Arábia Saudita, por exemplo, já é o nono país que mais gasta com armas no mundo (US$ 38 bilhões) e Israel tornou-se a nação com maior gasto per capita, com US$ 2,3 mil para cada habitante - US$ 300 a mais que nos EUA.
“A ideia da guerra ao terror incentivou muitos países a olhar seus problemas pelo aspecto militar, usando isso para justificar o aumento de gastos no setor”, afirmou Sam Perlo-Freeman, chefe do projeto de gastos militares do Sipri.
Redução
De acordo com o relatório do Sipri, entre os 15 maiores orçamentos militares do mundo apenas a Alemanha e o Japão reduziram seus gastos na última década.
Desde 1999, os alemães diminuíram em 11% a compra de armas, enquanto o governo japonês gastou 1,7% a menos.
Brasil também aumenta gastos
Na América do Sul foram gastos no ano passado US$ 34 bilhões em armas - um aumento de 50% nos últimos dez anos. Para os analistas do Sipri, quem puxou a fila desse crescimento foram Brasil e Colômbia. De acordo com o instituto, o Brasil aumentou seus gastos porque “busca o status de potência regional”. Na verdade, a maior parte se destina à atualização do equipamento militar.
Hoje, o País tem o 12.º maior orçamento militar do planeta. Para o Sipri, na Colômbia o motivo do aumento foi o combate às Farc. Na Venezuela, o instituto diz que houve um “crescimento acelerado” dos gastos durante o governo de Hugo Chávez: aumento de 64%, o dobro do brasileiro, nos últimos dez anos.
hina Já Possui o Segundo Maior Orçamento Militar do Mundo
O Brasil ainda não gasta quase nada com Defesa, sabe-se que esse aumento nas despesas militares é mais motivado pela recuperação da massa salarial das Forças Armadas. O país teria gasto US$ 23,3 bilhões em 2008.
Quanto à China chegar ao segundo lugar, não chega a ser novidade, mas estimativas do Pentagono reportam que esse total de US$ 85 bilhões seja apenas a metade do gasto real chinês, algo que os elevaria a US$ 170 bilhões em 2008.
Esta é a lista do Sipri dos 15 países com maior gasto militar do mundo em 2008:
Gastos % Mundial Variação
————————————————–
(em bilhões de dólares) (1999-2008)
1. Estados Unidos 607,0 41,5 +66,5%
2. China* 84,9 5,8 +194,0%
3. França 65,7 4,5 +3,5%
4. Grã-Bretanha 65,3 4,5 +20,7%
5. Rússia* 58,6 4,0 +173,0%
6. Alemanha 46,8 3,2 -11,0%
7. Japão 46,3 3,2 -1,7%
8. Itália 40,6 2,8 +0,4%
9. Arábia Saudita 38,2 2,6 +81,5%
10. Índia 30,0 2,1 +44,1%
11. Coreia do Sul 24,2 1,7 +51,5%
12. Brasil 23,3 1,6 +29,9%
13. Canadá 19,3 1,3 +37,4%
14. Espanha 19,2 1,3 +37,7%
15. Austrália 18,4 1,3 +38,6%
TOTAL G15 1,188tri 81 não disponível
TOTAL MUNDO 1,464tri 100 +44,7%
(*): estimativa Sipri
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Quarta-feira, Junho 10, 2009
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Sábado, 6 de Junho de 2009
Caça da FAB intercepta, faz tiro de aviso e obriga o pouso de avião com cocaína em Rondônia
Video
Assista ao Vídeo da Interceptação
Aeronaves A-29 e o avião-radar E-99, da Força Aérea Brasileira, atuaram na operação que terminou com o pouso de um avião monomotor (matrícula CP-1424) em uma pista de terra próxima a Izidrolândia, distrito de Alta Floresta D´Oeste, no interior de Rondônia. Após o pouso, a Polícia Militar, em coordenação com a Polícia Federal, apreendeu 176 quilos de pasta base de cocaína no interior da aeronave. A operação ocorreu por volta das 17h da última quarta-feira, dia 3.
A aeronave suspeita, de matrícula boliviana, proveniente daquele País, voava a uma altitude de 1500 pés (500 metros) e foi identificada como tráfego irregular pela aeronave-radar. Logo depois, os caças A-29 já realizavam as medidas de averiguação e o reconhecimento do avião suspeito.
Após ser interceptado pela aeronave da FAB, o piloto não prestou informações sobre identificação ou trajetória que pretendia seguir. Além disso, fez manobra em direção à fronteira com a Bolívia. Em seguida, foi dada a ordem ao piloto da aeronave suspeita que pousasse na pista da cidade de Cacoal. A aeronave desobedeceu novamente e baixou a altitude de voo para 300 pés (100 metros).
Com isso, o A-29 realizou o tiro de aviso. Foi a partir dessa medida que o piloto da aeronave suspeita passou a ser “colaborativo”, informaram os militares, ao afirmar que iria obedecer às ordens. Entretanto, o avião suspeito, sem autorização, precipitou o pouso e aterrissou em uma estrada de terra no distrito de Izidrolândia.
As aeronaves da FAB sobrevoaram a área, conforme norma de policiamento do espaço aéreo, para que o suspeito não voltasse a decolar. Com as informações da FAB, viaturas da Polícia Militar, em coordenação com a PF, chegaram ao local e puderam apreender 176 quilos de pasta base de cocaína no interior da aeronave. Um helicóptero H-60 L da FAB transportou na noite de quinta-feira a equipe da PF com a droga apreendida da cidade de Pimenta Bueno (RO) para a capital Porto Velho.
Na madrugada desta sexta-feira, dia 5, uma operação da Polícia Federal e da Polícia Civil local conseguiu capturar os dois pilotos bolivianos. Segundo a PF, eles prestarariam depoimento no posto policial em Pimenta Bueno e seriam presos na própria cidade para aguardar julgamento.
Fonte: CECOMSAER
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Aeronaves A-29 e o avião-radar E-99, da Força Aérea Brasileira, atuaram na operação que terminou com o pouso de um avião monomotor (matrícula CP-1424) em uma pista de terra próxima a Izidrolândia, distrito de Alta Floresta D´Oeste, no interior de Rondônia. Após o pouso, a Polícia Militar, em coordenação com a Polícia Federal, apreendeu 176 quilos de pasta base de cocaína no interior da aeronave. A operação ocorreu por volta das 17h da última quarta-feira, dia 3.
A aeronave suspeita, de matrícula boliviana, proveniente daquele País, voava a uma altitude de 1500 pés (500 metros) e foi identificada como tráfego irregular pela aeronave-radar. Logo depois, os caças A-29 já realizavam as medidas de averiguação e o reconhecimento do avião suspeito.
Após ser interceptado pela aeronave da FAB, o piloto não prestou informações sobre identificação ou trajetória que pretendia seguir. Além disso, fez manobra em direção à fronteira com a Bolívia. Em seguida, foi dada a ordem ao piloto da aeronave suspeita que pousasse na pista da cidade de Cacoal. A aeronave desobedeceu novamente e baixou a altitude de voo para 300 pés (100 metros).
Com isso, o A-29 realizou o tiro de aviso. Foi a partir dessa medida que o piloto da aeronave suspeita passou a ser “colaborativo”, informaram os militares, ao afirmar que iria obedecer às ordens. Entretanto, o avião suspeito, sem autorização, precipitou o pouso e aterrissou em uma estrada de terra no distrito de Izidrolândia.
As aeronaves da FAB sobrevoaram a área, conforme norma de policiamento do espaço aéreo, para que o suspeito não voltasse a decolar. Com as informações da FAB, viaturas da Polícia Militar, em coordenação com a PF, chegaram ao local e puderam apreender 176 quilos de pasta base de cocaína no interior da aeronave. Um helicóptero H-60 L da FAB transportou na noite de quinta-feira a equipe da PF com a droga apreendida da cidade de Pimenta Bueno (RO) para a capital Porto Velho.
Na madrugada desta sexta-feira, dia 5, uma operação da Polícia Federal e da Polícia Civil local conseguiu capturar os dois pilotos bolivianos. Segundo a PF, eles prestarariam depoimento no posto policial em Pimenta Bueno e seriam presos na própria cidade para aguardar julgamento.
Fonte: CECOMSAER
Quarta-feira, 3 de Junho de 2009
Bomba ameaça de um voo da Air France na Argentina
Está noticia foi Publicado em 27 mai 2009, por um jornal Argentino, Portanto 3 dias antes do acidente envolvendo o Vôo 447 da Air France que saia do Rio com Destino a Paris.
Forças de segurança aeroportuária Air France atrasou um avião que estava prestes a deixar esta tarde para Paris após ameaças telefónicas bomba foram recebidas no aeroporto Ezeiza.
La Policía Federal, a través de la dirección de Bomberos y la Seguridad Aeroportuaria procedieron a la revisión del avión, que llegó esta mañana de la ciudad francesa y, tras una breve parada, se disponía a volver. A Polícia Federal, através da liderança do Fogo e de Segurança do Aeroporto de rever a aeronave, que chegou esta manhã na cidade francesa, e após uma breve paragem, se preparava para regressar.
El procedimiento de rutina duró aproximadamente una hora y media y, según difundieron fuentes del aeropuerto todos los pasajeros se encuentran en perfecto estado y no hubo evacuados. A rotina procedimento durou cerca de uma hora e meia, de acordo com fontes aeroportuárias espalhar todos os passageiros estão em perfeitas condições e não havia evacuado.
Link para noticia:
http://momento24.com/2009/05/27/amenaza-de-bomba-en-un-vuelo-de-air-france/
Forças de segurança aeroportuária Air France atrasou um avião que estava prestes a deixar esta tarde para Paris após ameaças telefónicas bomba foram recebidas no aeroporto Ezeiza.
La Policía Federal, a través de la dirección de Bomberos y la Seguridad Aeroportuaria procedieron a la revisión del avión, que llegó esta mañana de la ciudad francesa y, tras una breve parada, se disponía a volver. A Polícia Federal, através da liderança do Fogo e de Segurança do Aeroporto de rever a aeronave, que chegou esta manhã na cidade francesa, e após uma breve paragem, se preparava para regressar.
El procedimiento de rutina duró aproximadamente una hora y media y, según difundieron fuentes del aeropuerto todos los pasajeros se encuentran en perfecto estado y no hubo evacuados. A rotina procedimento durou cerca de uma hora e meia, de acordo com fontes aeroportuárias espalhar todos os passageiros estão em perfeitas condições e não havia evacuado.
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http://momento24.com/2009/05/27/amenaza-de-bomba-en-un-vuelo-de-air-france/
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Quarta-feira, Junho 03, 2009
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